Escrevo poemas curtos
(Palavras-fotografia)
Não por não ter muito o que dizer
(às vezes acho que não tenho muito o que dizer)
Mas pareço ser mesmo assim:
Sentimentos breves e intensos
Tempestades de verão
Pedaços diferentes
(vezes coerentes, vezes ambivalentes)
Objetivos, mas subjetivos
Peças soltas que aos poucos
Revelam a mim mesma
Cheguei. Sinto de novo a natureza
Longe do pandemônio da cidade
Aqui tudo tem mais felicidade
Tudo é cheio de santa singeleza
Vagueio pela múrmura leveza
Que deslumbra de verde e claridade
Mas nada. Resta vívida a saudade
Da cidade em bulício e febre acesa
Ante a perspectiva da partida
Sinto que me arranca algo da vida
Mas quero ir. E ponho-me a pensar
Que a vida é esta incerteza que em mim mora
A vontade tremenda de ir-me embora
E a tremenda vontade de ficar.
— Vinicius de Moraes
Eu era forte até descobrir
que eu era frágil até descobrir
que eu era forte até descobrir
que parece não haver limite
pra antítese dentro de mim
Às vezes meus joelhos simplesmente se dobram
Sem avisar, sem querer, sem planejar
Alma dizendo pra onde quer voltar
As vezes os movimentos de dentro são mais fortes
do que os músculos que me mantém
estendida
"Aí de repente, sem que eu nada tivesse feito para que isso acontecesse, a poesia me agarrou - e desde então passou a ser comida para o meu corpo e para minha alma. Poesia é comida."
— Rubem Alves
Estar feliz
é bambolear
soltar o corpo,
ver pra crer
e ver
que dá mais certo a vida
combinada com felicidades
quando a gente
não põe o pé no freio,
deixando tudo deslizar
bicicletamente
— Maria Antonia de Oliveira
I know you’re tired of the hurt and the heartache
You feel like giving in, you feel like walking away
And I know it’s difficult feeling so out of place
But this is not how it’s gonna be
Your pain is temporary
We’re all strangers here
So it’s alright if you can’t
Stop the tears that you cry
‘Cause some day we’ll touch the face of our God
And the sorrow will disappear
Until then, we’re strangers here
— Tenth Avenue North
"Eu preciso aprender não o desespero da fome, mas a oportunidade de ser saciada e encontrar calmaria.
Diante de dias maus que me arrancam lágrimas, que esfolam uma esperança enfraquecida pela dor prolongada, que furtam o sono que já foi tranquilo, eu preciso aprender a esperar.
Esperar a noite da alma passar, o dia amanhecer, os raios de luz mostrarem novas perspectivas e renovarem os passos outrora cansados.
Eu quero aprender a esperar, com toda esperança, a alegria que pode vir, que voltará após o amanhecer.
Esperar que as lágrimas sejam secadas e que um caminho para novos risos se abram, e a celebração seja maior que antigos lamentos."
— Tais Machado
"Não quero faca, nem queijo. Quero a fome."
— Adélia Prado
Fui acometida por um novo bem:
Me sobreencantam singelezas.